Nem sabia o que era découpage (bem, découper em francês é recortar, mas não sabia o que era a dita "técnica", a palavra mais repetida nos blogs de artesanato). Aí aprendi que é recortar uma figura e colar numa superfície qualquer com o objetivo de enfeitar. Achei na lixeira de plásticos do meu prédio um pote de sorvete. Lavei bem (já estava limpo: o regulamento é rígido, tem que lavar tudo antes de jogar fora), esterilizei em água fervendo e resolvi fazer uma caixinha para as tralhas de limpeza do banheiro. Acho um saco essas tralhas: a escova de vaso (odeio aquelas que vêm com suporte, um ninho de sujeira cheio de reentrâncias), o desinfetante, a escova de dentes velha pra pequenas juntas (lá pela quarta cerveja encaro numa boa a limpeza dessas bostas de locais de difícil acesso -- xingando arquitetos e engenheiros, que estudam tanto pra se especializar em cantinhos imundos!), a esponja pra tábua etc. Eca! O pote também é ninho de bactéria, mas pelo menos boto a zorra toda junta num bom molho de cloro e executo a bicharada em escala!
Claro que o pote, mesmo enfeitadinho, não fica aí neste lugar de honra! Fica no chão, ó. Como terminei a "découpage" no sábado e a estreia dele foi hoje -- dia de faxinão! --, ele ainda tinia de brilhante e cheiroso quando fotografei no armário das toalhas."Armário das toalhas" é modo de dizer. Elas estão guardadas num... bar. O móvel, que é do apartamento, tinha barra e grades onduladas para garrafas e copos. Retirei tudo (boto de volta ao ir embora) e taquei no banheiro. O problema era a palabra "Bar" escrita num espelhinho. Acabei pendurando uns sachês de capim-limão da barraquinha Cheiro da Serra, da feirinha, a maior descoberta que fiz em Terê. Junto com velas aromatizadas e uma essência para vaporizar fabricada em Friburgo, a Ubon Tradição lima-limão, eles me ajudam a amenizar o cheiro de cigarro numa casa pequena como esta. Os sabonetes são da Cheiro da Serra, menos os de coração, da H&M, também aqui de Terê. Os rolos de papel estavam expostos, mas a Ana sugeriu que eu embrulhasse em papel de seda. Fui além: usei também papel de presente e laços de fita.
Definitivamente, eu não me reconheço.

